Lembranças da escola (por Amanda Oliveira Rabelo*) Em uma disciplina de minha graduação em Pedagogia, a professora sugeriu o título deste artigo como tema para uma redação. Este fato me fez refletir sobre o contexto da nossa escola atual e vou explicar o porquê no decorrer deste artigo. A infância é uma época em que muitos momentos se passam, tantos bons quanto ruins, porém nos resultados destas redações observamos que há momentos que às vezes são muito marcantes ou que são totalmente esquecidos da memória, talvez por tão traumáticos que tenham sido, principalmente no que se remete a escola. O que me fez refletir foi o fato de tantos fatos marcantes negativos acontecerem na escola, e o fato de muitas pessoas não se lembrarem de aspectos ligados ao processo de aprendizagem em geral. Reflito isto relacionando com as minhas lembranças de aprendizagem que foram muito boas (baseadas em Freinet), e vejo que a escola e o processo de aprendizagem em geral é dado como chato por não ser envolvido com a prática e ter um aspecto muito autoritário (o que foi evidenciado nas falas de muitas colegas de curso). O que é lembrado como aspecto positivo da escola é ligado geralmente ao recreio, ao contato com os colegas, à amizade, e ao afeto da professora, mas não à maneira com que o ensino é oferecido. O aluno, em geral, não se sente "enturmado" com o ensino, mas ao contrário, este é esquecido nas suas memórias por que não tem muita importância na sua vivência. Podemos analisar o fato do esquecimento do processo ensino aprendizagem com a fala de Rubem Alves “A sabedoria mora no esquecimento”, e de acordo com as idéias de Cooper, ou seja, nesse processo de aprendizagem e esquecimento que acontece na escola, nós somos obrigados a esquecer o que “éramos” antes da educação, o que trazíamos do nosso cotidiano, para dessa maneira aprender os conteúdos escolares. Assim o fato do esquecimento pode ser analisado como retorno/ resposta a essa obrigação de esquecer nossa natureza. A escola não pode ser esse espaço "chato" de negação ao que somos, muito pelo contrário, deve fazer as pessoas se lembrarem do que são, de forma que o professor não seja apenas o centro dessa “relembrança”, mas participante desse processo junto com seus alunos, interagindo e compartilhando com todos essa sabedoria, a sabedoria do cotidiano. A sabedoria do cotidiano deve ser aproveitada num processo de reflexão e análise, para que dela surja à aprendizagem de todos os conteúdos escolares, sem que estes sejam metódicos e distanciados da prática. O homem tem se destacado dos animais em sua capacidade racional, capacidade de pensar, indagar e procurar respostas às suas dúvidas, enfim, em sua capacidade de aprender. A escola seria o lugar aonde a aprendizagem e as respostas a questões aconteceria proporcionando que o homem “crescesse” e modificasse o mundo para seu prazer, para fugir da dor, para ter “luxos”. Entretanto, hoje em dia não é o que acontece. As crianças vão à escola por que são impostas pelos pais e pela sociedade, por que têm que se tornar “alguém” quando crescer, para ganhar dinheiro e outros motivos. Dificilmente vão para escola pelo motivo mais importante que teriam: para crescerem como indivíduos. Está havendo então um distanciamento da escola e das necessidades e prazeres das crianças. A criança não quer sentir “dor” e a escola está representando esta “dor”. Na escola os conteúdos são oferecidos de uma maneira em que o aluno não aproveita e não sabe para que lhe servirá. Diante disso é que se ouve frases do tipo “isso eu nunca vou usar na minha vida, para que aprender?”. A aprendizagem não pode ser forçada, pois senão o professor vai "fingir" que ensinou e o aluno “fingir” que aprendeu; pois este ao sair da escola não vai saber aproveitar os conhecimentos adquiridos e acabará por esquecer tudo. Quantos de nós saímos da faculdade e já esquecemos muitas das coisas aprendidas no próprio 2º grau para o vestibular? A aprendizagem deve ser feita de maneira prazerosa e esta deve ter associação com a vida e a prática do indivíduo. O aluno deve querer saber porque "é bom para ele", porque lhe traz melhoras, porque ele pode precisar desse saber em algum momento. E não simplesmente por que tem que ganhar dinheiro e “ser alguém”. Por esse motivo à escola deve saber lidar com o contexto de vida do aluno e saber associar os conteúdos com a prática diária da vida desses indivíduos. A matemática, o português, a ciência, os estudos sociais... tem relação com a vida, a escola é que não sabe fazer essa relação. A escola deve antes de tudo tratar seus alunos como sujeitos e não como objetos. *Amanda Oliveira Rabelo - Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior - UNIRIO ------------------------------------- *FONTE: www.psicopedagogia.com.br ________________________________________________________________________________________ HOME CLUBE SANDBOX
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